Sabe
por que dói agora? Porque eu ainda não deixei partir. Porque eu ainda
tenho lá no fundo, mais bem no fundo mesmo aquela certeza que dará
certo. É tão estranho como tudo volta. Não fiz essa escolha,
simplesmente acontece. Não sei o que anda acontecendo com o tempo, esse
tempo que me faz voltar dezenas de vezes, esse tempo que não me deixa
prosseguir, esse tempo que parou. Parou em você. Estou presa
em mil lençóis de lembranças recentes. Estou ativa num presente que já
se tornou passado a muito. Não. Na verdade não faz assim tanto tempo,
mais já era para ter caído no esquecimento. Já era para ter sumido da
memória e no entanto, permanece fundido aos meus dias. É uma sensação
inebriante que mistura o amor, a raiva, o declínio e o prazer. Não dá
pra explicar, é mais uma questão de sentir. A verdade é que nunca
consegui decifrar a gente. É uma conta da matemática da vida que não tem
uma solução exata ou quebrada, não tem resposta. E é só. Eu mais você
somos tudo ou então somos nada. Depende do dia. Depende da hora. Depende
desse nosso estado de humor louco que muda a todo momento. Acho que
esperar é inútil, mais também acho que vale muito a pena. Só que de
repente não dói mais. Depende tanto de mim, só de mim. Mais como tudo
conspira a favor fica difícil remar nesse barco sozinha. É mais ou menos
assim eu vou, você vem ou os dois seguem caminhos opostos. Mais de
alguma forma esse nosso destino une tudo de novo. E toda vez, começa
tudo do zero. Alguns acham que isso é loucura, outros que o que tem que
ser é e pronto, ainda tem quem acredite que isso é coincidência. Eu? Eu
acho que nada é por acaso. Acho muitas coisas e tenho um milhão de
opiniões. Às vezes julgo-as todas erradas. Mais de todas, uma me
convence: Nada é coincidência, tudo está escrito.


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